Sustentabilidade disruptiva

Disrupção

Usar bermudas para ir trabalhar nos dias quentes é sustentabilidade. É mais confortável, proporciona uma sensação mais agradável em altas temperaturas e ainda precisa de menos água para lavar e menos energia elétrica para passar. Isso é fazer mais com menos.

Times pequenos para implementação de projetos tem resultado similar. São mais flexíveis, ágeis para tomar decisões e exigem menos comunicação. Se este time tiver participantes com perfil interdisciplinar os resultados serão melhores ainda!

Todas as empresas sofrem com o calor e com a necessidade de comunicação.

O contexto que patrocina o aprendizado

Este cenário multidisciplinar e com baixa hierarquia é fabuloso para o aprendizado. Os participantes do projeto se sentem motivados em aprender uma coisa nova todo dia, mesmo em rotinas de sustentação [manutenção corretiva evolutiva de sistemas em produção e uso].

A liderança participativa e menos burocrática, naturalmente incentivada dentro do time, elimina os estereotipados melindres de relacionamento com a gestão e cultiva uma comunicação opinativa entre todos.

Este patrocínio orgânico do aprendizado, além de sustentável, provoca a inovação. Ao invés de membros robóticos eliminando suas atividades diariamente, abre-se uma semântica de orgulho pelo trabalho, uma vontade de melhorar alguma coisa que já é beneficiada pelo simples ato da intenção da mudança evolutiva.

A filosofia da disrupção aplicada em uma empresa proporciona mudanças culturais evolutivas, sem saltos bruscos ou revoluções, para eliminar as rotinas repetitivas e automações robóticas executadas por humanos.

Em observação a definição de natureza como tudo o que nasce, compreendemos que todas as coisas de natureza crescem do cerne, da essência, isto é — de dentro para fora. O ambiente desafia e traz saudáveis concorrências, mas a evolução está sempre de dentro para fora.

A filosofia disruptiva é uma positiva resposta ao cenário atual de cotidiano nas empresas, onde todos passam muito tempo fazendo a mesma coisa e quando percebem que precisam de mudanças — tardiamente e por evidência latente — contratam consultorias com métodos milagrosos que prometem revoluções. Estas consultorias estão muito distantes da cultura enraizada na corporação, não compreendem o cerne, a essência da empresa, por isso apresentam propostas de intervenções com métodos novos no efeito.

Estas iniciativas de mudanças com consultorias de quebras de paradigmas, com muito, mas muito esforço mesmo, possuem alguma chance de funcionar. Entretanto, conforme se verifica facilmente na história, o resultado corre um gigantesco risco de não criar raízes e se perder logo após a conclusão dos trabalhos dos consultores.

Outro “dificultador” é que os consultores não entram na prática da operação, ficam a margem com suas teorias e não vivenciam as reais causas cotidianas. Em muitas experiências relatadas, diversos autores ressaltam uma crise de proporções preocupantes entre os conflitos dos métodos propostos com a cultura de funcionamento existente.

Para o exercício fiel de consultoria de recuperação da evolução de uma corporação, é necessário um tirocínio de prazo adequado com a expectativa de resultado. Por tirocínio neste contexto entendo sendo a experiência prática, a vivencia dentro do ambiente, vivenciando o problema em todos os sentidos.

A sustentabilidade como nascimento e continuidade

A filosofia disruptiva não sobrepõe nada o que existe como proposta metodológica. Numa compreensão atenta, a filosofia da disrupção soma as diversas propostas antecessoras como, por exemplo, as metodologias ágeis, as metodologias clássicas e o “lean management”.

A compreensão de que disrupção é sinônimo de tudo que é moderno e radical está equivocada. A moda em volta destes pensamentos ditos disruptivos patrocina o destaque ao excêntrico, do que é diferente, porém não o define em si.

Inovação e disrupção, apesar de frequentemente serem explicadas no mesmo contexto, são levemente independentes como resultado. Se inovar significa criar, inventar algo novo, isso não é dependente de disrupção. Se inovar significa fazer mais com menos, significa modificar algo existente por algo novo com o mesmo resultado [ou resultado melhor] porém com uma construção mais econômica, isso é uma inovação disruptiva.

O conceito de disrupção nasce da compreensão que tudo que foi inventado tem seus próprios ciclos, talvez 4 ou poucos anos mais, porém é certo que ficará obsoleto e será substituído por alguma proposta de inovação econômica.

O conceito de disrupção não substitui nenhum outro conceito, apenas adiciona a responsabilidade de se reinventar continuamente antes do final do ciclo.

Na minha leitura, o pensamento disruptivo nasce do “Darwinismo” em 1859, como compreensão da necessidade de adaptação — da sobrevivência do mais apto, do mais capaz de se adaptar as mudanças do ambiente. Foi aplicado a economia por Joseph Schumpeter em 1939 para explicar os ciclos dos negócios e é revitalizado pelo professor de Havard Clayton Christensen no premiado livro “O Dilema da Inovação” de 1997.

A filosofia da disrupção aplicada as empresas, aplicada aos times de projetos, se sustenta pela necessidade de adaptação a forte competitividade continuamente apresentada pelos dias atuais. Cada vez mais, será preciso fazer mais com menos, em um ciclo que tende ao infinito.

Tecnologias novas serão inventadas para substituir tecnologias existentes, perfis profissionais novos serão adaptações exigidas pelo mercado para substituir perfis de outros profissionais, e assim a vida sempre prevalecerá evolutivamente no tempo e espaço.

Após a compreensão desta leitura, desejo o sucesso em seus projetos.

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