Startups pagam mal

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Disrupção

Enquanto eu pensava neste artigo, pois minha amiga Daniella e minha professora de inglês me provocaram, almocei com outro amigo que me contou um trecho de um livro do Amyr Klink que narrava o seguinte fato: “No primeiro dia que cheguei na Antártida meu barco encalhou no gelo e com um sol lindo na minha frente, um leão-marinho se aproximou. Eu pensei em fotografar, era uma imagem emblemática, porém estava com tantos afazeres que me desviei no pensamento ‘estou apenas no primeiro dia, terei outras oportunidades’. Nunca mais nenhum leão marinho apareceu para uma composição fotográfica.”

Eu vejo uma startup como uma oportunidade distinta, uma fonte de aprendizado multidisciplinar, um convívio com todos os aspectos de um negócio que nenhuma universidade ou curso de MBA pode proporcionar.

Em meu pensamento, definir o que é startup é bem simples. É uma organização enxuta, adaptável, que propõe serviços escaláveis.

Enxuta é aquela empresa ou startup que opera seu negócio com pouco recursos, com mínima burocracia e profissionais em papéis múltiplos. Quando iniciamos a FCamara há 10 anos eu vendia, liderava projetos, fazia os pagamentos e emitia os recebimentos à noite, e ainda adorava ministrar mentorias e coaching.

Adaptável é uma empresa sem amarras com o passado, sem algemas com tradições, livre para “pivotar”, criar, atender um modelo de negócios ou segmento de indústria. O nome da nossa empresa é FCamara porque eu não tinha certeza do que íamos fazer. Gostávamos de apagar incêndios em sites de internet que não tinham desempenho para atender demandas de visitação e paralelo a isso eu amava organizar times enxutos e ágeis para aumentar a produtividade de implementação dos projetos. Nosso primeiro pensamento foi: nossos clientes podem ser portais de internet como o Uol, o Terra, ou podem ser instituições financeiras com seus internet banking, ou por último podem ser sites de comércio eletrônico como o Submarino. Hoje somos a maior empresa de serviços multiplataforma para transações de comercio eletrônico do Brasil – por que não nos chamamos FCommerce?

Escalável é um tipo de negócio cuja capacidade de atender clientes não é linearmente proporcional aos recursos necessários para este atendimento. Em palavras mais simples, para servir a 10 clientes você precisa de 5 profissionais, para servir a 50 clientes você precisará de 10 profissionais. Neste quesito percebemos que a FCamara não era escalável, entretanto queríamos que fosse. Considerando que o nosso diferencial é o capital intelectual, colocamos a palavra “formação” em nossa razão social (somos a única consultoria de TI do Brasil que tem isso) e inventamos / reinventamos programas de formação todos os anos. Não podemos escalar em entrega de projetos sem escalar em profissionais técnicos disponíveis, logo entendemos que somos uma escola. Porém não uma escola habitual com professores, somos uma escola com mentores, ou professores mentores. Um professor mentor forma o aluno autônomo tecnicamente, autônomo psicologicamente e funcional socialmente.

Você trabalha por quê?

Certamente por dinheiro, que é o que regula todas as relações. Alguns hipócritas vão dizer que não, herdeiros não estão preocupados com isso (pois são herdeiros), contudo na soma total de toda relação de trabalho tem uma matemática final.

Como as startups tipicamente estão desafiadas como negócios, as propostas de trabalho são composições de valores baixos e promessas de participações futuras em caso de sucesso. Há um compartilhamento de crenças e riscos. Desta forma, startups combinam mais com profissionais jovens, em início de carreira, e/ou com executivos em transição que possuem reservas e podem apostar. Na verdade, o que se verifica é uma configuração com os 2 perfis.

Num primeiro momento, a startup é um caminho de muito trabalho e vaidades. Por exemplo, um jovem que atua com marketing numa corporação tem o cargo de assistente ou analista de marketing. O mesmo jovem numa startup tem o título de Head de MKT ou CMO para fazer praticamente o mesmo serviço.

Após os prazeres de atuar em um local “descolado”, quase sem hierarquia, com mínima burocracia e alguns mimos como cerveja de graça no final do expediente, o que fica para você? Dinheiro, experiencia prática e histórico de realizações? Cuidado, nem sempre!

Às vezes, o excesso de liberdade é patrocinador de hábitos improdutivos. Por mais que a evolução seja sempre uma escolha individual, é em grupo que você tem o cenário ideal de aprendizado. Se o ambiente não constrói, consequentemente você também estagna.

Por outro lado, um ambiente com pouca formalidade e menos burocratizado, tipicamente ausente em grandes organizações e geralmente factíveis em startups, pode te proporcionar uma pluralidade de conhecimento e práticas que serão fundamentais por toda a sua jornada profissional. Neste cenário, eu afirmo que uma startup proporciona um excelente pagamento de ganho profissional.

Conclusivamente, saber usar a empresa e saber usar o patrão é a chave do progresso da sua vida profissional. Independente se é uma grande e formal companhia, se é uma iniciante startup, a evolução é uma escolha individual. Neste artigo eu espero ter provocado reflexões que conscientizem critérios para sua escolha. Afinal:

A pior parte sobre trabalhar num projeto ruim não é o projeto em si, é o fato de você estar indisponível para um bom projeto. As oportunidades são sempre únicas, quando você deixa passar não haverá outra igual, nunca mais (pergunte ao Amyr Klink).

Desejo-te sucesso em suas iniciativas,

Fabio Camara

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