Projetos com times disruptivos

Disrupção

Comunicação, como necessidade dentro de um time, é um sinal claro de disfunção. Significa que as pessoas não estão trabalhando de forma unida e orgânica. Simplificar ambientes e objetivos são saudáveis formas de fazer o time se comunicar menos, e não mais.

Fazer um projeto com métodos disruptivos é geralmente fazer de forma mais simples, algo com menos esforço do que o que já existe, ou algo capaz de atender escopos e audiências maiores. Times disruptivos não são equipes de inovadores excêntricos despreocupados com prazos e com foco somente na criatividade.

Para entender um time disruptivo temos que primeiro desmistificar a palavra disrupção, que normalmente é relacionada como sinônimo de “inovador, moderno, radical”. Como diz Peter Thiel, fundador do PayPal, “disrupção se metamorfoseou em um jargão autocongrulatório para qualquer coisa que se faz passar por nova e moderna”.

Do conceito para a prática

Transformando conceitos em visões práticas, a proposta deste artigo é exemplificar com as realizações históricas evidenciadas em nossos próprios projetos neste último ano e casos de uso relatados em leituras que fundamentaram nossas iniciativas piloto.

Descomplicar a necessidade de comunicação, por exemplo, é simplesmente reduzir a escala hierárquica entre os participantes do projeto. Tomando como exercício de estudo uma comparação de hierarquia gerencial entre as empresas Microsoft e Amazon, a Microsoft adota um modelo de gestão com muitas camadas de gerentes intermediários. O efeito deste esquema é que geralmente as decisões são adiadas e a inovação reprimida na comparação direta com o modelo hierárquico da Amazon.

A Amazon acredita que a pessoa mais próxima do problema é tipicamente a melhor pessoa para decidir como resolvê-lo. A crença da empresa é que unidades de trabalhos autônomas são mais produtivas em comparação a unidades de trabalhos com forte hierarquia de gestão para a tomada de decisão. Quanto maior a distância entre quem sofre o problema e quem aprova a forma como resolvê-lo, menos efetiva será a solução.

Outro exemplo útil é descomplicar-se da necessidade dos especialistas. Se um projeto precisa de analistas de negócios, analistas de testes, desenvolvedores e analistas de infraestrutura para a implantação nos ambientes [analistas de deployment], podemos simplificar unificando o perfil de analista de negócios com o de analistas de testes, e o de desenvolvedor com o de analista de infraestrutura. Para o primeiro novo perfil podemos intitular a função de BTA [Business Test Analyst] e para o segundo novo perfil o jargão de mercado já conhecido é DEVOPS [sigla que significa Developer + Operations].

Mais um exemplo funcional, quanto tempo nós perdemos em um projeto com a “decoração” de uma apresentação de status ou apresentação de conceito? Se todas as apresentações necessárias do projeto tivessem apenas textos? Se as imagens e gráficos fossem proibidos?

Os resultados de todos estes exemplos práticos são resumidos com perfeição em uma única palavra: economia.

O que esperar de um projeto com um time disruptivo

O livro “O Dilema da Inovação”, do professor de Harvard Clayton Christensen — que é considerado o criador do termo “disrupção” — explica que o receio que as empresas têm por mudanças devem minar os seus próprios negócios.

Clayton Christensen se inspirou no conceito de “destruição criativa” cunhado pelo economista austríaco Joseph Schumpeter em 1939 para explicar os ciclos de negócios. Segundo Schumpeter, o capitalismo funciona em ciclos, e cada nova revolução (industrial ou tecnológica) destrói a anterior e toma seu mercado.

Transportando estes pensamentos para o mundo dos projetos corporativos, sejam de TI ou não, o que ocorre todo ano é uma redução das verbas / investimentos e um aumento do número de projetos. Principalmente nos últimos 3 anos todos nós estamos desafiados a “fazer mais como menos”.

Em resposta a esta provocação, possivelmente originaria da competição cada vez maior no mercado, não basta ser criativo. O pioneirismo nas iniciativas deve ser testado em pequenas doses e fortemente distribuído — no caso de evidenciado o sucesso — a ponto de ser percebido pela corporação. Além de criativo, o profissional disruptivo deve ser o maior crítico do seu próprio novo método.

O resultado de um projeto com um time disruptivo é provavelmente igual ao proporcionado com times tradicionais, entretanto com uma diferença econômica. No radical último, o objetivo da disrupção é inovar em competitividade, proporcionar fazer mais com menos!

Após a compreensão desta leitura, desejo o sucesso em seus projetos.

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