Outra forma de aplicar Inovação

Inovação

Seguindo a etimologia de inovação: IN + NOVARE = fazer o novo. Se descermos mais um nível, ou seja, abrindo o termo NOVARE, teríamos algo como: INTUS + NOUS + ACTIONEM = dentro da Ação da Mente, ou ainda, o Design Interior da Mente quando age. Inovar é entrar na ação direta da mente, que é sempre nova, “irrepetível”, ou seja, criativa.

Etimologia é a parte da gramática que trata da história ou origem das palavras e da explicação do significado de palavras através da análise dos elementos que as constituem. Por outras palavras, é o estudo da composição dos vocábulos e das regras de sua evolução histórica.

Seguindo está linha mais “filosófica” acerca do significado da palavra inovação, nos deparamos inevitavelmente com a criatividade, com a ação autentica, com a novidade.

Com base nestes pensamentos que provocamos estas aplicações para inovação.

Conhecimento técnico não garante inovação

A criatividade deve ser utilizada em cima da técnica consumada. Somente se dominamos as técnicas podemos extrair a genialidade de nossa criatividade. Entretanto, o domínio do conhecimento não é suficiente para alcançar a inovação, não pode ser o único critério, não será genial.

Em análise atenta a nossa história da humanidade, todas as grandes descobertas inovadoras foram frutos de muita pesquisa — por pessoas qualificadas com o conhecimento técnico — somadas ao direcionamento de uma mente criativa, a curiosidade genial de um líder.

Este líder, capaz de realizar uma leitura dentro de si mesmo, desperta a inquietude obsessiva de provar uma nova hipótese. A soma de muito estudo e pesquisa é desafiada por esta busca que somente se realiza na conquista de uma novidade. Se a intuição do gênio fosse desnecessária, um robô seria muito mais qualificado para um processo de inovação.

Gosto muito destas duas frases, de autoria de dois gênios que para mim foram grandes líderes, que fundamentam o princípio do pensamento exposto aqui:

Antonio Meneghetti: “Naturalmente não somos todos gênios, todavia, para cada um de nós, sempre, a natureza prevê o sucesso na própria proporção”.

Benjamin Franklin: “Existem três coisas extremamente duras: aço, diamante e conhecer a si mesmo”.

A inovação nasce do dilema não resolvido

A inovação tem seu nascimento em uma visão simples das dinâmicas econômicas, dos diversos pontos de ruptura em ato, das pressões de mercado, mas também de um “saber fazer” e um “saber servir” específico naquela área.

Segundo Peter Drucker — considerado o pai da administração moderna — os negócios são organicamente um constante estado de criação, crescimento, estagnação e declínio. Desta forma, para a administração, a inovação é o criativo processo de reinventar a si mesmo ou a sua organização corporativa diante da competitividade do mercado.

Para não cair em estagnação, você precisa aprender a se permitir um dilema. Este dilema pode ser uma pergunta ingênua e subjetiva como esta: _Como eu posso fazer isso melhor?

Por formação de consciência, segundo nossa própria construção de carreira profissional, somos horríveis para nos permitir os nossos próprios dilemas. A razão simples deste fato é que somos impiedosos juízes de nós mesmos, com uma moral que não permite posições flexíveis: ou acreditamos ou desacreditamos em algo.

O tempo todo julgamos nossos pensamentos e emoções, considerando-os certos ou errados, bons ou maus. Contudo, no sentido psicológico, não há nada realmente errado no que sentimos ou pensamos. As ações podem ser erradas ou proporcionar resultados indesejados, mas os pensamentos devem ser livres.

Um dilema deve ser tratado em um ciclo de ideação, experimentação e somente no final a avaliação. O problema é que avaliamos antes, precocemente, no nascimento do dilema. Por isso, eu acredito que o autojulgamento é a maior barreira para o autoconhecimento.

Para finalizar este pensamento, convido o meu leitor imaginário a apreciar a máxima do filosofo indiano Jiddu Krishnamurti: “Observar sem avaliar é a mais alta forma de inteligência”.

Seja dono da sua intenção

Tudo, no mundo dos negócios, se resume a geração de valor. Todavia, isso não é uma restrição. Os recursos tangíveis podem ser limitados, mas poucos são os limites para a criatividade humana.

Partindo da minha convicção que um bom negócio é o que gera valor para um ser humano, e que uma ideia do negócio nasce também de um ser humano, concluo uma lógica: o critério funcional é o fator humano.

Para atender estas expectativas humanas é preciso antes entender seu cliente e validar hipóteses. Com este pensamento eu me posiciono como um evangelista das técnicas de engenharia de valor, mais precisamente da chamada de MVP — Minimum Viable Product. Esta técnica é econômica e possibilita a validação de um produto mínimo, que é bem menos elaborado do que uma versão final e bem diferente quando comparamos com os produtos da forma tradicional (longo período de análise, prototipação, elaboração, execução e implantação).

O MVP foca em verificar se o direcionamento está correto, de forma enxuta, com um funcional processo de validação de hipóteses e aprendizagem sobre o negócio. O MVP é uma técnica orientada nas pessoas — nossos clientes imaginários — que são chamados de “personas”.

Porém cuidado, por mais valiosa que seja a técnica, pouco adiantará sem a prática contínua. Uma boa prática para se tornar um hábito precisa de um “DONO”.

Dono tem senso de urgência, dono não tem sábado ou domingo, dono não larga a caneta ao final do expediente. Gostei de uma definição que li do Nizan Guanaes no livro do Marcelo Toledo: “No bife a cavalo, o ovo está envolvido, é o funcionário, mas a vaca que deu a vida pelo bife, é a dona, por que ela se mata por aquilo.

Uma ideia para resultar em inovação precisa ter um dono. Aquele que não desiste na primeira experiência negativa, aquele que insiste, aquele que se prepara melhor e busca novas alternativas, tantas vezes seja necessário.

Inovação é empreender, o que vai te exigir o conhecimento técnico específico somado a tantos outros conhecimentos gerais. Somente quando você é dono da sua intenção você se compromete com a interdisciplinaridade que este ato te exige.

Após a compreensão desta leitura, desejo o sucesso em seus negócios.

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