O time de TI disruptivo

Disrupção

A filosofia da disrupção: Repensar doutrinas rígidas de como fazer “as coisas”. Repensar a criatividade. Provocar o desafio dos comportamentos típicos e procurar novas formas de agir. Repensar a gestão para os trabalhadores do conhecimento.

Qualquer destes pensamentos provocam “calafrios” nas empresas de hoje. Não por serem complexos objetivamente, entretanto flexibilizar regras, esquecer hierarquias, e tantas outras mudanças em uma empresa é lento e exige espaço como fazer a curva num imenso transatlântico.

Na história, em qualquer observação mais atenta, tantos cargos foram extintos e suas funções eliminadas ou agregadas em outros cargos. Tomemos como exemplo para elucidação desta hipótese: o cargo de vendedor. Hoje não há mais espaço para um indivíduo que possui apenas boa comunicação, capacidade de relação e a propriedade de influenciar. O vendedor deste novo milênio tem pelo menos uma das três características a seguir bem desenvolvidas:

1- Capacidade de empacotar, de tornar reluzente, de encantar clientes ao primeiro contato;

2- Capacidade de estabelecer a relação de confiança com o cliente através do conhecimento especialista do assunto, de parecer sério, cúmplice e responsável;

3- Capacidade de estabelecer o negócio conforme o cenário, sem tabelas fixas de preço, com oportunismo.

O efeito desta evolução do mercado é que os vendedores clássicos estão sendo substituídos por técnicos, por profissionais que vivenciaram operações na empresa e aprenderam a fantástica arte da comunicação.

Sem diversificar demasiadamente do escopo original, vale apenas ressaltar que esta tendência é amplamente discutida nas empresas hoje. Segundo a empresária Luiza Helena Trajano, CEO da rede de varejo Magazine Luiza, os vencedores nos negócios são os que mais sabem usar conjuntamente o melhor das capacidades das ciências exatas com o melhor das capacidades das ciências humanas. Em outras palavras, serão os profissionais com forte perfil técnico que sabem servir e se comunicar com os outros.

Este exemplo ratifica a filosofia disruptiva, pois não estamos extinguindo funções por questões tecnológicas, estamos evoluindo funções por compreender que existem novas possibilidades para se fazer a mesma coisa.

Em Tecnologia da Informação presenciamos o mesmo efeito e a prova mais atual desta tese é o cargo de analista de sistemas — que parte de suas funções foram absorvidas pelos programadores e as outras partes se transformaram em duas novas profissões: analistas de negócios e analistas de qualidade.

A causa desta, vamos assim chamar — disrupção, é a frenética atualização das rotinas e tecnologias. Hoje em dia submetemos o homem a hábitos muito mais conectados com tudo. As metodologias e as organizações não conseguem acompanhar esta evolução e insistem em fornecer soluções uniformes para problemas distintos.

Na minha leitura, não se trata de quebra de paradigmas, nem tampouco de revolução. A resposta simples para esta dúvida é: inovação. Se permitir pensar diferente, com mais liberdade e autonomia.

Obviamente não estou defendendo nenhum tipo de anarquia, isso não funcionaria para construções de projetos e seria prejudicial a organização. Contudo inovações são frutos de sementes de criatividade, experimentação e objetividade. Quaisquer padrões estereotipados são formas de tolher a inovação.

Neste tripé — criatividade, experimentação e objetividade, a criatividade possivelmente é o fundamento mais subjetivo. Conforme meus estudos, a criatividade funcional é aquela que deve ser utilizada em cima da técnica consumada. Somente se dominamos as técnicas com profundidade responsável podemos extrair a genialidade de nossa criatividade.

communication

Por que as empresas de TI estão com receio de inovar?

Temas subjetivos, para pensadores formados em ciências exatas, são como assombrações. Teme-se não porque é simplesmente assustador, teme-se porque é incompreendido. O terror é a falta de lógica.

Dada a ausência de racionalidade nesta questão, do ponto de vista do especialista em TI, utilizar a criatividade para fins de inovação tem sido uma experiência com alto número de insucessos. A questão não é se permitir a criatividade, fato que nós tecnólogos nos permitimos com frequência. A questão é desafiar antigos comportamentos, desafiar métodos estabelecidos, criar novas possibilidades.

Segundo minhas hipóteses, temos dois cenários que estão prejudicando os resultados das iniciativas de inovação nas empresas de TI:

1- Os erros de competência, que surgem quando a liderança envolvida no processo de inovação possui bom conhecimento técnico, mas não possui as capacidades de liderança e comunicação necessárias aos processos de inovação. No fim das contas, inovação significa a coexistência de um modelo tradicional com uma ideia e/ou método embrionário, o que gera conflitos na busca por recursos internos, disponibilidade de talentos e tempo.

2- A permissividade assistencialista da falha, onde não se pode responsabilizar devidamente os erros de competência. Nos dias atuais onde todos os profissionais possuem mais direitos do que deveres, patrocinamos uma passível irresponsabilidade nas intenções de inovação. O líder atua com superficialidade, sem se comprometer com o sucesso. Na prática, por trás da gratuita “falta de sorte”, sempre se esconde um tipo de infantilidade para “levar a própria vida” sem empenho e sem mérito.

O empresário Abílio Diniz, fundador do Grupo Pão de Açúcar, publicou recentemente em seu blog no portal UOL um texto chamado “Habilidades Interpessoais”, onde ele comenta 5 dicas de outro empresário chamado Jose Carlos Magalhães que fundou sua empresa com apenas 24 anos e 12 anos depois é considerada uma das melhores empresas de fundos de ações & private equity — a Tarpon Investimentos.

O texto, que reproduzo com mínimos ajustes a seguir, justifica o sucesso da Tarpon Investimentos e está totalmente aderente a filosofia da disrupção.

1 — Forme uma cultura de coletivo: a única forma de fazer com que as pessoas atuem como um time é fazendo com que elas percebam que o coletivo é superior ao indivíduo.

2 — Some talentos com potencialidades: ao montar sua equipe, contrate pessoas com habilidades que se complementam e não tenha medo de convocar alguém melhor que você. Uma equipe forte conseguirá se sustentar na sua ausência e os pontos fracos existem para serem superados.

3 — Tenha sempre coragem para agir: construir o futuro é sempre mais importante do que proteger o passado. E isso se aplica também à formação da equipe.

4 — Unanimidade não é desafio: em um processo de tomada de decisão, desconfie da unanimidade. Toda escolha importante é feita com muitas ponderações e até mesmo, discussões. Isso é saudável e positivo para o negócio. Em uma reunião de Conselho, cada opinião e argumento devem ser discutidos à exaustão, visando a melhor decisão.

5 — Ser racional é mecânico: No mundo corporativo é imprescindível ser racional. Mas esta habilidade está mais para uma condição (pré-requisito indispensável) do que para um diferencial.

Conclusivamente, se a empresa tem líderes sem habilidades interpessoais e uma cultura que não incentiva a meritocracia, inovar provavelmente será desastroso. Sendo assim, buscar métodos disruptivos, tentar aplicar a filosofia da disrupção, não é recomendado para o seu time de TI.

Como será o time de TI disruptivo?

Sem gestores burocráticos, sem papéis exclusivamente especialistas e com espaço para lideranças naturais. Os times serão reduzidos, de um tamanho numérico máximo que ainda seja possível dividir uma pizza grande. Os times serão compostos por perfis diversificados, todavia sem privilegio de exclusividade na responsabilidade específica — todos serão cúmplices de tudo o que é feito no trabalho.

Este time será composto por indivíduos com dois valores muito fortes: o valor do conhecimento e o valor do comportamento. Estes valores devem hierarquicamente estar acima dos demais. Estes valores formalizarão o critério de distinguir o real, o útil, o funcional.

No valor do conhecimento estão as fundamentações técnicas precisas, a base de ideia para a criatividade e uma essência para a inovação. O profissional não deve ser superficial e nem exageradamente profundo, permitindo assim a liberdade das suas próprias ideias com as demais ideias do time.

No valor do comportamento estão as fundamentações humanas, as habilidades interpessoais, a capacidade de comunicação e liderança. O profissional deve compreender o social da sua corporação, o social dos seus clientes, permitindo um espaço livre de exercício para o aprendizado do trabalho e o aperfeiçoamento da inteligência pessoal.

Após a compreensão desta leitura, desejo o sucesso em seus projetos.

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