Inovação

Matemática exponencial foi provavelmente a primeira imagem na mente do meu leitor imaginário quando leu inovação exponencial. Algo como simplesmente crescer os resultados em múltiplos periódicos muito acima da média de mercado tradicional.

Esta compreensão é incompleta, limitante e certamente induz ao erro de liderança. Buscar desenfreadamente o crescimento dos resultados (dos números) pode acelerar tanto sua máquina de negócios que ela será incapaz de fazer curvas e muito provavelmente isso vai ser necessário em vários momentos.

Primeiro, inovação exponencial é diferente de inovação disruptiva — que particularmente eu curto mais. Inovação disruptiva de forma muito simples é fazer uma nova iniciativa de negócio ou produto sem nenhuma referência anterior, algo inédito, original.

Inovação exponencial, na mesma linha simplista utilizada para inovação disruptiva, é potencializar um negócio existente (ou criar um novo) através de tecnologia digital que proporcione um aumento das receitas desproporcionalmente ao aumento de despesas.

Isso já vem acontecendo de certa maneira em todas as indústrias neste início de século. Antes dos anos 2000 todas as pesquisas de automação estavam com foco em incrementar a produção. Muitas máquinas e robôs trouxeram exatidão a rotinas repetitivas.

Os investimentos de automação atuais são voltados para a aceleração de negócios. Esta nova revolução industrial vai se esbaldar em tecnologias como: inteligência artificial, inteligência cognitiva, “big data”, “machine learning”, “chat bot”, modelos SaaS e etc.

O pensamento exponencial é fazer mais com menos, que é bem diferente do objetivo da inovação incremental. Em crítica resumida, a indústria que vencerá neste século está inovando seus custos internos substituindo seres humanos em atividades de relação simples com outros seres humanos, como por exemplo para tirar um pedido de uma venda num “drive thru”.

No passado os robôs eram usados para apertar parafusos, mas não havia tecnologia para interagir com humanos. No máximo usavam as aborrecedoras ligações telefônicas através de “URA” e mensagens gravadas previamente.

Hoje, voltando ao exemplo do “drive thru”, já que a venda é certa — ou seja, o cliente entrou na lanchonete para uma compra — para que precisamos de uma intuição humana vendedora? Ao trocar atendentes de pedidos por “chat bot’s” podemos aumentar a capacidade de recepção sem preocupações com turnos, férias, ausências por motivos de saúde e etc (sem contar a redução de custo direto com salários).

Resumindo, este é um bom exemplo de inovação exponencial, porém não o único.

O líder inovador

A atitude mental de um inovador exponencial também é diversa em comparação ao inovador disruptivo. O líder por trás desta nova consciência tem que conduzir a organização para uma nova jornada: ideação, experimentação, adaptação e expansão.

O objetivo não é simplesmente lançar primeiro, também tem que expandir na frente de todos os seus concorrentes e “surfar” custos menores antes que a concorrência te obrigue a reduzir os preços de venda. Quanto mais rápido estiver funcionando em todos os pontos de interação, maiores serão os resultados em escala.

Este líder deve ter alta capacidade de leitura do ambiente e ser altamente flexível, pois não há espaço para pensar da mesma forma como se pensava na 3ª. Revolução Industrial: iniciativas para produção em série, rígidas, com medo de errar, sem espaço para equívocos. O novo pensamento é: se há incertezas, o melhor é errar o quanto antes.

Diferentemente, a jornada de um inovador disruptivo é desobrigada de preocupações com escala, isso acontece naturalmente com o sucesso do negócio ou produto criado.

O líder inovador, seja exponencial ou disruptivo, é um mutante com alta capacidade de flexibilização. Qualquer rigidez em experimentar, analisar e adaptar será um influenciador de insucesso. O hábito da busca incessante pelo desconhecido será a via, e o critério de realização será a capacidade de adaptação ao real (não aos seus achismos e convicções não verificadas, mas sim aos dados de realidade concretos).

O líder inovador não é maior que a sua inovação. Quando pensar assim, ele não será mais capaz de inovar. Ele é um inquieto, um cientista e um provocador de outros. Ao ensinar tantos, ele aprende com as diversas inteligências através de suas indagações e questionamentos.

É assim que acreditamos, pelo menos dentro da nossa FCAMARA.

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