Ideias disruptivas voltadas para TI

Disrupção

Na ideia, o grande implacável juiz será nossa própria consciência. Em suma, para inovar ou para ser disruptivo o nosso primeiro desafio é lidar com a nossa própria censura do plano perfeito, a censura da crítica genial, enfim, com todas as maneiras possíveis de justificar o porquê não vamos experimentar uma ideia.

O sonho é fantástico porque não fica velho, na verdade não tem a dimensão tempo espaço. A ideia também é um sonho, um princípio intuitivo de nós mesmos como indivíduos. Em tantos casos, gosto da comparação da ideia com uma semente. A semente é um projeto organizado, isto é, tem uma identidade natural própria, que se expõe com composição química específica e propriedades dinâmicas. Ambos, a ideia e a semente, colherão e sofrerão o ecossistema em torno.

Empreender uma ideia, tentar colocar um sonho em prática, conforme os acadêmicos e as autoridades das ciências administrativas orientam, virou praticamente um jogo de quebra-cabeças de 5000 peças. São tantas planilhas, “Lucros & Perdas”, planos de negócios, cronogramas e afins que a metodologia proposta mais desanima do que organiza.

O pensamento disruptivo nasce desta oportunidade, fornece uma proposta para simplificar a implementação da ideia através de experimentações leves e análise de feedbacks. Proporciona um método mais barato de verificação e validação.

Diferente de uma ideia inovadora, a ideia disruptiva se desprende das certezas e mergulha sem receios em hipóteses incertas. Também diferente da inovação, na disrupção o feedback é do público real e de forma espontânea.

Em outras palavras, a inovação é resultante de uma ideia evoluída em pesquisas (sejam quantitativas ou qualitativas) para alcançar um resultado com maturidade, uma proposta final para ser apresentada ao grande público. Quando você pergunta sobre algo, de certa forma você induz uma resposta.

A disrupção é resultante de uma ideia evoluída com experimentações e feedbacks diretamente com o grande público, sem o receio de apresentar algo pronto, sem uma pesquisa formal. Sem perguntas, o feedback é livre.

Uma experiência prática e real

Há pouco tempo atrás eu estava em reunião com meus sócios no startup HashTrack. Conversávamos sobre contratar publicidade focada para o público de TI, pois acreditávamos na época que este era o nosso cliente ideal. Após algumas reflexões, ao invés disso, resolvemos experimentar simplesmente colocar a versão 1.0 (MVP 1) no ar sem publicidade alguma, somente “leads orgânicos”.

O nosso negócio é um aplicativo “freemium”, ou seja, que pode ser usado gratuitamente e possui algumas versões mais avançadas e pagas. Rodamos esta experiência por 30 dias e no final do período já tínhamos 140 usuários gratuitos utilizando frequentemente a aplicação. Fomos examinar quem eram estes usuários e foi neste momento que aprendemos com o pensamento disruptivo: 90% deles eram advogados, nosso foco de publicidade voltou-se para este público alvo.

O que a TI pode aprender com isso

Projetos de produtos bem planejados, com escopo, com cronograma, serão substituídos por implementações distribuídas e road map alimentados por feedbacks da comunidade.

Testes técnicos são assuntos internos, porém testes de negócios serão temas para usuários voluntários, para clientes fundadores, para redes sociais.

A funcionalidade de um aplicativo não será mais uma RNA — Regra de Negócio Associada em um documento de Caso de Uso. Ao invés, será uma experiência de uso, com design, com ergonomia, com responsividade, com feedback aberto e constante.

Após a compreensão desta leitura, desejo o sucesso em seus negócios.

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