Design Thinking + Filosofia da Disrupção = Inovação

Design Thinking

O cérebro humano é preparado para reconhecer padrões e repetir padrões. É por isso que quando distraidamente estamos pensando em visitar nossa sogra no domingo e pegamos o caminho para o escritório. É um hábito que desenvolvemos na infância como uma espécie de método de aprendizado: imitar nossos adultos de referência e assumir aquele comportamento como próprio.

Estes padrões fixos dentro da nossa memória fazem com que inovar seja um ato antinatural. Convencionando que inovação é tornar algo que está funcionando em alguma coisa ainda melhor, nosso modelo mental não está habituado com esta provocação: _ Por que repensar algo que está funcionando há anos?

Aprofundando no tema, inovação significa um descolamento funcional que o design e a criatividade realizam exclusivamente em relação a tecnologia para assumir novas funções num ambiente. Na minha leitura, inovar é uma das mais perfeitas habilidades do ser humano, é a ação de inteligência do homem que nunca será robotizada e nem construída com inteligência artificial, é o ponto de encontro da arte, da ciência, do espirito e da tecnologia.

Ao estudar o economista Joseph Schumpeter: ele viveu até janeiro de 1950 e escreveu a teoria que é meu objeto de estudo “The Theory of Economic Development” em 1911, compreendi que inovação não é um modismo contemporâneo para se vender produtos diferentes que nem sabemos se precisamos.

O Prof. Schumpeter ao descrever o processo de desenvolvimento econômico trata da “destruição criadora” como uma representação de realidade, expressa na substituição de antigos produtos e hábitos de consumir por novos. Nesta realidade, segundo a teoria, são os produtores que iniciam a mudança e os consumidores seriam “educados”; ou por assim dizer, ensinados a desejar coisas diferentes de alguma forma daquelas que têm o hábito de consumir.

Traduzindo o parágrafo anterior em um exemplo atual: Ninguém questiona a inovação que é o “smartphone” em relação ao antigo celular, porém nós não tínhamos a necessidade de um smartphone. Os novos hábitos, viciantes neste caso, que nos educaram a mudar o aparelho que fazia ligações para o minicomputador de bolso conectado as redes sociais que até faz ligações.

Seguindo na compreensão, inovar é diferente de ter ideias. Conheço tantas pessoas que são ótimas com ideias e péssimas com inovação. A diferença principal é que inovar tem que gerar valor, tem que ajudar em alguma coisa para ter mercado. E gerar valor para quem ou para o quê? É neste ponto que entra o “design thinking” e a “filosofia da disrupção”.

Design Thinking

Primeiro temos que rever o que significa “design”. Tipicamente esta palavra está associada a qualidade ou aparência estética de produtos. Em nosso contexto, significa uma disciplina que tem o objetivo máximo promover algo de bom para um indivíduo — seja um membro do seu time de trabalho ou um cliente.

O bem-estar de uma pessoa pode ter uma natureza completamente diversa de outra, por isso design thinking é um estudo baseado no mapeamento de cultura, de contextos, de experiências pessoais, de processos cotidianos dos indivíduos. É um investimento de esforço para ganhar uma visão mais completa e a partir disso, identificar as barreiras e gerar alternativas de transpô-las.

Neste aspecto o “designer” tem como tarefa principal identificar problemas e propor soluções. Os clientes de qualquer indústria são especialistas em problemas, reclamam de quase tudo e frequentemente são infiéis. Perguntar o que um cliente quer é uma atividade no vazio, o resultado é tipicamente nulo. Entretanto estudar os problemas deste cliente pode ter como consequência uma solução, uma oferta do seu serviço ou produto adequada ao mercado.

Um “designer” experiente sabe que encontrará 2 tipos de clientes: o de pensamento velho e o de pensamento novo.

  • O cliente de pensamento velho é o que te conta sua própria história, te explana pelos desafios que superou e pelos feitos do passado. Depois disso, reclama da situação de hoje. Em minhas experiências de consultoria a maioria dos departamentos de TI e financeiros são assim, vivem de passado e não querem mudanças para o futuro — preferem uma rotina estabilizada;
  • O cliente de pensamento novo é o que te conta sobre os projetos a realizar, os sonhos, a vontade de fazer algo inédito. Depois disso, comenta sobre o desafio que é fazer uma ideia nova se tornar realidade. Eu frequentemente encontro clientes assim nos departamentos comerciais e de marketing.

Acho importante ressaltar que o conceito que diferencia o cliente de pensamento novo do cliente de pensamento velho não tem relação direta com a idade do indivíduo e nem com sua experiência de vida.

Resumidamente, tanto para um tipo quanto o outro utilizaremos as mesmas fases propostas pelo design thinking: imersão, ideação e prototipação. O que vai mudar é o objeto alvo para estudo e o tamanho da mudança de hábito na proposição. No caso do cliente de pensamento velho, o objeto de estudo serão as “dores” e as propostas muito próximas da realidade atual dele com sutis mudanças. Para o cliente de pensamento novo, o objeto de estudo serão os “sonhos” e a proposição deverá ser a mais criativa possível.

Design thinking e métodos disruptivos para inovar

Agregando um espírito de independência e liberdade de vontades para um time, você naturalmente torna o resultado mais criativo. Contudo, para isso funcionar serão necessárias técnicas, pois como citado anteriormente: ideias são confundidas com inovação. As ideias podem dar em nada, ou se trabalhadas podem resultar em algo genial, mas somente se tiver propósito de valor será uma inovação.

Disrupção é, para mim, responder da forma mais honesta possível o “por quê” fazemos algo. É um questionar a forma como sempre fizemos as coisas e se permitir rever isso.

Naturalmente sabemos responder o “o quê” fazemos, isso é um escopo de trabalho. Também com alguma volatilidade saudável respondemos com facilidade o “como” fazemos algo. Sempre vão existir novos métodos, novas propostas, isso é normal e faz parte da evolução.

Quando uma pessoa faz algo movida pelo “por quê”, isso é livre — de certa forma — isso é independente. Esta resposta é sempre algo maior, como uma razão de existir, como uma ausência de medo ou de negativa. Melhor eu te explicar isso com o meu caso:

  • “O que” estou fazendo agora? Escrevendo um texto que deve fazer parte do meu sonhado novo livro;
  • “Como” estou fazendo? Estou lendo pensadores que fundamentam o conceito Lean, estou assistindo vídeos de empreendedores no YouTube e procurando por artigos na Internet;
  • “Por quê” estou fazendo? Eu acredito que escrever significa marcar a história. Eu tenho o sonho que os meus textos sejam uteis para os outros e que o meu pensamento possa ser acessado além da minha presença.

Disrupção, como pensamento e ação, ocupa um vácuo deixado entre a cultura e o método. Nossa empresa pode ter uma cultura Lean e ser disruptiva. Nosso time pode usar o método SCRUM e ser disruptivo. Disrupção é uma atitude mental que valoriza ideias em busca de resultados inovadores.

inovacao

Na prática, desta forma eu explico que um indivíduo disruptivo não é o mais inteligente, não é o que tem mais ideias, mas certamente é o que tem mais vontade. “Tangibilizar” vontade é apresentar uma coragem de sempre buscar o autêntico, o original, o primeiro como história — mesmo que a partir de algo já existente. É uma iniciativa constante de sempre tentar fazer alguma coisa diferente, mesmo que você não esteja considerando-a obsoleta ou errada.

Disrupção não é uma anarquia, tem que ter técnica, tem que ter um objetivo e no final encontrar algo melhor como método e como resultado. Eu penso em disrupção como mais um critério que soma a minha equação lógica na tomada de minhas decisões.

Aplicar técnicas de design thinking com princípios do pensamento da disrupção — a filosofia disruptiva — tornará a inovação uma consequência desejada.

Após a compreensão desta leitura, desejo o sucesso em seus negócios.

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