Controle de projetos em empresas disruptivas

Controles

Em tudo, a mentira chega primeiro arrastando consigo os tolos. É assim na política, nas empresas e nos projetos. Empresas disruptivas combinam com autonomia e necessitam de muita comunicação, porém são muito permissivas com a ausência de controles. Como livrar os projetos das empresas disruptivas do engano dos desatentos ou despreparados?

Os controles são amigos dos interessados no sucesso do projeto, ninguém é tão perfeito para não precisar de uma advertência. Aquele que não ouve é um tolo incorrigível e até os mais preparados não devem desprezar a oportunidade de aprender com outros.

De outro lado, Jim Collins, famoso consultor de estratégias de negócios e autor de diversos livros que são sucessos de venda, defende que excesso de controle e organização aumenta as pessoas erradas e expulsa as pessoas certas da sua empresa ou projeto. Collins resumidamente define pessoas certas como indivíduos que possuem automotivação e autogestão, e pessoas erradas como indivíduos que necessitam de burocracia, incentivos constantes e campanhas motivacionais.

Os times de projetos disruptivos são mais ágeis, mais criativos, porém isso nada tem a ver com ausência de controles. Um escopo precisa de um plano, de um foco, de alguns métodos para ser concluído. O time de projeto disruptivo adora uma estrutura horizontal e um clima amistoso, entretanto autonomia é uma maturidade a ser alcançada com vivência.

Times que querem funcionar com autonomia dependem de algumas regras para obter resultados positivos. As experiências práticas resumidas são:

  1. Liderança não centralizadora: todos devem saber sobre o projeto e conhecer com profundidade o time. Certamente alguma hierarquia é inevitável, contudo quanto mais participantes conhecerem o desafio, conhecerem os demais membros do time e conseguirem influenciar nas decisões, melhor será o resultado. Aqui cabe um ditado da filosofia da disrupção: O indivíduo mais indicado para tomar a melhor decisão acerca de um problema é o que está sofrendo mais com ele.
  2. Análise de sentimento da informação do projeto: receber somente as notícias boas é uma certeza que as informações ruins estão escondidas. Mesmo a informação ruim é distorcida covardemente por quem mais sofre com ela. É preciso conferir uma situação adversa com pelo menos 3 membros do time. Se verificamos sintonia na compreensão do problema, temos um time capaz de solucionar os desafios do projeto. Se cada um entende os problemas do projeto de uma forma muito particular, temos na prática 2 problemas: o projeto e o time.
  3. Senso de responsabilidade: a distribuição de culpa ou a proliferação de desculpas aceitáveis são demonstrações infalíveis de que o time não está capacitado para agir com autonomia. Os problemas fazem parte da naturalidade de qualquer projeto, aguçam a inteligência humana e proporcionam evolução para todos no time. Se a responsabilização diante do problema é sempre do outro, temos que substituir o líder.
  4. Comportamento na adversidade: os orientais afirmam, por tradição milenar, que só é possível confiar em um homem ao ver seu comportamento diante de uma situação adversa. Eles costumam embebedar ou proporcionar um cenário extremo para validar com quem irão fazer negócios. Somente assim é permitido um certo espaço de autonomia.

A estratégia de liderança horizontal

Liderar sem massacrar com controles é um conhecimento muito antigo, anterior a “moda” das metodologias ágeis, anterior a “última moda” de consultoria organizacional chamada filosofia da disrupção. A base deste pensamento, para mim, está presente nestes 4 livros — grandes clássicos da humanidade.

O primeiro, A Arte da Guerra, de Sun Tzu, clássico do século VI a.C., com uma fundamentação riquíssima de todos os detalhes que devemos nos preocupar para obter o sucesso coletivamente. Conhecimento da importância sobre: Do autoconhecimento, da liderança, do conhecimento do mercado e dos concorrentes como uma estratégia que se vence ou se perde.

O segundo, A Arte da Prudência, de Baltasar Gracián, clássico do século XVII d.C., um manual atual sobre relacionamento corporativo, relacionamento social e boas estratégias de convivência. Na prática é um conhecimento essencial para a construção da sua imagem como indivíduo social e como profissional. O autor é conhecido como líder do conceptismo, estilo literário caracterizado pela sobriedade e a concisão.

O terceiro, certamente o considerado mais polêmico desta lista, porém também reconhecido por muitos como um livro de sabedoria universal, O Príncipe, de Nicolau Maquiavel. Maquiavel, escritor renascentista, considerado o fundador do pensamento e da ciência política moderna, diversas vezes mal interpretado por críticos superficiais na história. Este clássico de 1532 fundamenta as situações corporativas, públicas ou privadas, como de fato são e sem máscaras e hipocrisias. Leitura essencial para quem quer compreender os bastidores das organizações.

Por último, contudo o mais recente em importância, A Psicologia do Líder, de Antonio Meneghetti. Clássico ainda a ser descoberto por muitos, fundamenta a importância da liderança como único mecanismo humano para se alcançar o máximo de si mesmo. Destaca que a energia base que funda todas as outras é a inteligência, e quem sabe gerir este enorme poder possui a forma elementar que pode controlar qualquer energia. Livro muito prático, explica o que é e como ser líder.

O projeto disruptivo — conclusão

Participar de um projeto com um time disruptivo é uma excelente opção para quem busca experiências do tipo “mão na massa” — que costumam levar a um rápido amadurecimento profissional. Isso porque esses ambientes costumam exigir habilidades que dificilmente seriam exercitadas numa corporação mais tradicional, tais como iniciativa, adaptabilidade e senso de organização.

Alguns que participaram e não gostaram da experiência em um time disruptivo reclamaram de: muitas mudanças de estratégias — tudo é adaptável (faltar ao trabalho uma semana equivale a perder um mês), escassez de recursos — time pequeno de propósito, e maior volume de trabalho — apesar do horário flexível.

No exercício da filosofia disruptiva no ambiente de trabalho, a autonomia é o prêmio cedido ao time que possui comprometimento, cumplicidade e confidencialidade com o projeto.

Conclusivamente, nenhuma apologia a controles ou a ausência de controles é fundamentada neste texto. Proponho-me a incentivar a compreensão do meu leitor imaginário deste ponto em diante, provocando-o propositalmente uma certa dúvida. Na minha prática, não existe uma “receita de bolo”: a medida de autonomia e de controle que um time de projeto requer é um objeto de atenta verificação e adaptação.

Após a compreensão desta leitura, desejo o sucesso em seus projetos.

Nenhum comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Disrupção
A medida da inovação disruptiva

Tantas coisas em volta buscando um novo centro. A transformação digital que assombra as indústrias, que consequentemente estão assustadas em ter sua imagem associada com “empresa falindo por falta de inovação”. Somando isso a dita quarta revolução industrial, somando isso a nova palavra da moda conhecida como “disrupção”, afinal — do que …

Disrupção
Ideias disruptivas voltadas para TI

Na ideia, o grande implacável juiz será nossa própria consciência. Em suma, para inovar ou para ser disruptivo o nosso primeiro desafio é lidar com a nossa própria censura do plano perfeito, a censura da crítica genial, enfim, com todas as maneiras possíveis de justificar o porquê não vamos experimentar …

Design Thinking
Design Thinking + Filosofia da Disrupção = Inovação

O cérebro humano é preparado para reconhecer padrões e repetir padrões. É por isso que quando distraidamente estamos pensando em visitar nossa sogra no domingo e pegamos o caminho para o escritório. É um hábito que desenvolvemos na infância como uma espécie de método de aprendizado: imitar nossos adultos de …