A metodologia é importante

Metodologias

Quando estamos atravessando um deserto, a água é um elemento super importante, praticamente indispensável. Entretanto, mesmo compreendendo que sem água esta travessia deve falhar, a água não é o objetivo do projeto. O objetivo do projeto é a travessia em si, é sair do ponto A e chegar no ponto B.

Desta forma devemos entender que as metodologias em projetos de software, são como a água, todavia não são o objetivo. Em função do resultado do projeto, em função da satisfação do cliente, a metodologia deve ser flexibilizada e adaptada.

Todo o projeto tem início, meio e fim. Recupero este conhecimento básico para categorizar estas fases e ratificar o pensamento que quero expor.

– O início são as ideias, os requisitos, as oportunidades, a expectativa do negócio. Nem sempre são elementos sólidos, é comum se perceber e permitir espaço para uma evolução.

– O meio são as técnicas de implementação, os métodos, a forma de construir e garantir qualidade. Temos que entender como uma ponte entre o início e o fim, um elo de ligação. É uma fase conciliadora, agregadora, que vencerá o time mais adaptável, mais flexível.

– O fim é a satisfação do cliente, é a entrega, é o atendimento pleno das expectativas iniciais. Quanto mais simples eu descrever esta fase, mais fiel serei ao proposito.

Na leitura atenta deste pensamento recém exposto, podemos compreender que a tecnologia — a nossa área de trabalho — é o meio, não é o início e tão pouco o fim. Também se torna simples entender que a metodologia, que a arquitetura, que a técnica de implementação, todos consideravelmente importante como a água para atravessar o deserto, fazem parte desta fase que denominei meio.

Estas fases não são sequenciais, elas possuem uma interseção produtiva se aprendemos a riqueza da colaboração do “feedback”.

Apesar de parecer uma simples regra de como os desenvolvimentos devem ser compreendidos, talvez uma norma óbvia ululante de quaisquer times de projetos “agilistas”, o que se verifica na prática pelos técnicos, pelos arquitetos, pelos líderes de projetos, são posturas inadequadas, inflexíveis e idealistas, que consideram a metodologia mais importante que quaisquer outras coisas e comprometem o objetivo — “a travessia”.

Por inúmeras vezes atestei posicionamentos radicais de tantos arquitetos, que não cedem as exigências da pressa do negócio e determinam uma construção complexa — porém robusta e segura. Longe de mim banalizar a importância de uma construção com estas características, entretanto convoco a reflexão se para atender plenamente as necessidades deste negócio — a velocidade de implementação deve ser a prioridade máxima desta arquitetura, ao invés de robustez e segurança. Não se trata de inviabilizar uma em favor de outra prioridade. Na minha leitura se trata de uma hierarquia de valores.

Flexibilizar versus perder o método

O receio natural provocado pela ideia de flexibilização é a perda de controle, a substituição de hábitos positivos impostos por vícios prejudiciais ao desenvolvimento do escopo, ao cronograma e a qualidade. Esta preocupação é sensata, já foi evidenciada em tantos episódios e comum de ocorrer em ambientes sem uma liderança funcional.

Também, em cenários de incertezas gigantescas, flexibilizar é muito arriscado. A ausência de experimentação anterior traz inseguranças que comprometem a criatividade e a atenção necessária aos detalhes, fatores indispensáveis para a possibilidade de flexibilização.

Afirmativamente, flexibilizar é uma capacidade madura, que requer histórico, habilidades e liderança. De fato, nas diversas evidencias verificadas no meu trabalho, resultantes de estudos dirigidos, as consequências negativas da flexibilização estavam diretamente relacionadas a inabilidade do líder.

Conforme estes estudos e as minhas verificações praticas, o método é um ponto de partida, um princípio. Só com o método é impossível alcançar o objetivo, pois se fosse possível — melhor seria se utilizar de robôs para a conclusão do projeto. Assim como somente com água não atravessaremos o deserto, somente com o método não alcançaremos os resultados esperados.

O resultado é o ponto de chegada. Depois desta compreensão me ficou transparente a famosa intenção revelada nos textos do livro “O Príncipe” de Maquiavel¹: _ Os fins justificam os meios.

O meio é a flexibilidade, é a capacidade de se adaptar aos cenários reais e atuais, é a capacidade de liderar funcionalmente para o time do projeto, para o escopo do projeto e para a satisfação da expectativa do cliente.

O meio, para ser livre e vencedor deve fundamentar-se na criatividade. A criatividade deve ser utilizada em cima da técnica consumada. Somente se dominamos as técnicas podemos extrair a genialidade de nossa criatividade.

Conclusivamente, o projeto é a travessia de um estado inicial para um estado evolutivo. O objetivo é alcançar esta evolução e os meios para se conseguir isso devem ser criativos. Somente o autêntico, o verdadeiro, é vencedor, pois nada do que foi será igual ao que foi exatamente um segundo atrás.

O erro é a repetição, é acreditar que tudo é igual, é acreditar que um método serve para todos os tipos de problemas. Em verdade vos digo, o erro nunca é criativo, nunca é novo, é sempre o repetir, é o fazer da mesma forma, é estar fechado para compreender os detalhes do momento atual.

Diante do deserto temos o projeto da travessia. Temos a água, temos o estudo relatando como outros atravessaram este mesmo deserto. Todavia faremos a travessia do nosso jeito, com flexibilidade, com criatividade, com a leitura atenta dos detalhes reais e atuais.

A metodologia é importante, sim, porém não é tudo.

Após a compreensão desta leitura, desejo o sucesso em seus projetos.

No Comments

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

startups-pagam-mal
Disrupção
Startups pagam mal

Enquanto eu pensava neste artigo, pois minha amiga Daniella e minha professora de inglês me provocaram, almocei com outro amigo que me contou um trecho de um livro do Amyr Klink que narrava o seguinte fato: “No primeiro dia que cheguei na Antártida meu barco encalhou no gelo e com …

saber-servir-era-digital
Liderança
1
A arte de servir na era digital

Antes de todas as coisas, servir ainda é uma habilidade exclusivamente humana e depende do quanto o individuo está em unidade consigo mesmo. Por “unidade consigo” podemos definir como saber encontrar a si mesmo, saber se amar, entender a unicidade, a exclusividade e a irrepetibilidade. É inútil buscar fora para …

Disrupção
Ideias disruptivas voltadas para TI

Na ideia, o grande implacável juiz será nossa própria consciência. Em suma, para inovar ou para ser disruptivo o nosso primeiro desafio é lidar com a nossa própria censura do plano perfeito, a censura da crítica genial, enfim, com todas as maneiras possíveis de justificar o porquê não vamos experimentar …