A medida da inovação disruptiva

Disrupção

Tantas coisas em volta buscando um novo centro. A transformação digital que assombra as indústrias, que consequentemente estão assustadas em ter sua imagem associada com “empresa falindo por falta de inovação”. Somando isso a dita quarta revolução industrial, somando isso a nova palavra da moda conhecida como “disrupção”, afinal — do que estamos falando e qual é a medida?

Conforme qualquer simples método de dialética que se possa aplicar, o mais original possível do filosofo Sócrates, concluímos que tudo ou nada pode ser a medida, tudo ou nada pode ser o centro, que tudo ou nada pode ser o resultado. Estabelecendo grandiosamente a mais famosa frase de Sócrates como uma lei mais atual do que nunca antes: _ Só sei que nada sei.

Para os pensadores sobre a transformação digital, a enorme concorrência acirrada entre produtos e serviços provocando ano após ano revisões de custos — para baixo — vão substituir definitivamente os processos atuais por automações simples e enxutas ao máximo possível. Cadeias entre o produtor e o cliente final serão inevitavelmente eliminadas, pois não serão mais necessários os vendedores intermediários que não agregam valor e apenas aumentam o preço. Quem cria e faz, também deverá aprender a vender ou estará fora do jogo!

Isto é maravilhoso, pois nos torna obrigatoriamente empreendedores completos, mesmo que por uma necessidade imposta pela modernização da economia.

Para os pensadores sobre a inovação, só é provável criar novas possibilidades para uma clientela existente se houver uma intimidade de conhecimento sobre esta. Inovar vai significar: _ eu conheço tão bem o meu cliente que sou capaz de prever o que ele desejará de mim amanhã através da análise do seu comportamento comigo hoje.

Aqui se justifica o modismo do questionamento: _ O que fazer com tantos dados? Conseguimos juntar mais informações do que somos capazes de dar função. O “inovador” será o mais econômico nesta engenharia de garimpar informações –economicamente — que serão valiosas para os negócios de interesse. É finalmente chegada a era tão aguardada onde o capital intelectual (que é a soma do capital humano + o capital da estrutura + o capital do cliente) valerá mais que o capital do dinheiro.

Isto também é maravilhoso, pois nos obriga a voltar a sermos intuitivos, recupera em nós a mais importante essência humana que nunca será possível de robotizar. A inteligência intuitiva!

Para os pensadores sobre a disrupção, ou inovação disruptiva, as empresas serão capazes de criar novos comportamentos de consumo de seus clientes alvo influenciando através de análises de comportamento preditivo. Serão testadas pequenas hipóteses em grupos alvo iniciais, e onda a onda, MVP a MVP, as hipóteses serão de maior escopo e os grupos de interesse mais numerosos e heterogêneos.

Para isso usaremos tantos métodos modernos de indução e medição, porém popularmente conhecidos através de diversos outros nomes, derivando de uma fonte comum determinada de técnicas de “inbound marketing”. Na prática, já que todas as “coisas” são divulgadas por meios digitais e são comercializadas através de sistemas — tudo pode ser medido!

Novamente isto é maravilhoso, pois daremos objetividade ao critério de sucesso. Saberemos determinar matematicamente valores, o que no final reduz a complexidade sobre a percepção se algum investimento foi bom ou ruim. Esta percepção é uma atual grande crise nas empresas que desperdiçam energia em discussões calorosas entre os especialistas de marketing e os especialistas comerciais.

E qual a medida certa?

Deste assunto tão atual, junto com as posições afirmativas pessoais que acabei de citar acima, me remeti ao filosofo Protágoras (490 a 420 a.C.). Sua mais famosa citação era: _ O homem é a medida de todas as coisas. Assim como no marketing de massa hoje, desde aquela época já se ensinavam como debater e ganhar uma causa ao invés de provar um ponto de vista. Afinal, tudo é relativo!

A medida, o centro, sempre será o empreendedor a priori, e em seguida ele próprio colocará ou o produto / serviço, ou sua capacidade de criar / produzir, ou seu cliente existente / cliente a conquistar, conforme sua própria inteligência intuitiva.

Em outras palavras, para ser disruptivo você tem que inovar, para inovar você precisa de transformação digital, para transformar digitalmente sua empresa você terá que inovar, para inovar efetivamente sua empresa você terá que ser disruptivo.

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